Os bruzundangas, de Lima Barreto

Leitura indispensável aos brasileiros, digo, bruzundanguenses.

Se Lima Barreto fez uma sátira à sua época, foi também um visionário dos dias atuais. Veja um trecho que discorre sobre a Constituição da Bruzundanga:

“Houve mesmo disposições originais que merecem ser citadas. Assim, por exemplo, a exigência principal para ser ministro era a de que o candidato não entendesse nada das coisas da pasta que ia gerir.
Por exemplo, um ministro da Agricultura não devia entender coisa alguma de agronomia. (…)
Os deputados não deviam ter opinião alguma, senão aquelas dos governadores das províncias que os elegiam. As províncias não poderiam escolher livremente os seus governantes; as populações tinham que os escolher entre certas e determinadas famílias, aparentados pelo sangue ou por afinidade.”

E vejam que joia rara:

“Toda vez que um artigo desta Constituição ferir os interesses de parentes de pessoas da ‘situação’ ou de membros dela, fica subentendido que ele não tem aplicação no caso.”

E, para fechar com chave de ouro…

“Os presidentes de província, desde que estivessem de acordo com o presidente da República – na Bruzundanga chama-se Mandachuva -, faziam o que queriam.”

Não é atual?

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