Corpos em marcha – Simone de Andrade Neves

Para mim, a Arte sempre salva! Por isso, mergulho na poesia. Principalmente, nas fases ruins.

Biribiri em descontínuo

Os sinos tocam às dezoito.
Sábado tem barbearia.
Domingo doce de marmelo e garimpo.
As chaminés às cinco.
Banho no rio só em maio-junho.
Dezembro a água quase invadiu a fábrica, quase.
Às nove é hora de dormir.
Às cinco de acordar.
Jornal distrai
Livro distrai
Não é permitido escrever nas paredes
Não é permitido inquietar famílias
Não é permitido quebrar vidraças com pedras;
Conservar águas estagnadas não era permitido,
no permitido Biribiri.

Nove é hora de dormir.
Cinco, de acordar.

NEVES, Simone de Andrade. Corpos em marcha. Belo Horizonte: Scriptum, 2015. p. 32

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