Maria Rezende – “Substantivo feminino”

Susto vem desavisado e de onde menos se espera.
Pega a gente pelas costas
cobre os olhos com as mãos
e espera pela resposta que não vem
que a gente tá sempre tão preocupado sendo feliz
que nem percebe a sombra dos passos do susto chegando.

Às vezes a gente percebe
e o ruim de depois do susto nem é tão ruim não.
Pior mesmo é o susto, ele próprio
pegando a gente pelo pelo que nem gato
e jogando longe no chão
como se as setes vidas fossem mesmo sete
e fossem de todos
e não gastassem nunca.

Ruim do susto é ver que a gente anda pela vida
assobiando pro alto demais
sempre despreparado pro inesperado
que pode ser surpresa
e, surpresa: pode ser dor.

REZENDE, Maria. Substantivo feminino. Rio de Janeiro: Ibis Libris, 2012. p. 42

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