Se a rua Beale falasse – filme 2019

Assisti em junho ao belíssimo e triste filme Se a rua Beale falasse, baseado no livro de James Baldwin. Logo em seguida assisti à série Olhos que condenam no Netflix.

Não tinha tido tempo de escrever sobre o filme cuja atriz, Regina King, ganhou Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, mas a temática sempre me chama atenção e me faz refletir muito sobre a cruel e histórica desigualdade racial que vivemos e reproduzimos (na estrutura que permanece) mesmo quando não somos racistas.

Hoje, li no Facebook da jornalista Flavia Oliveira uma análise do filme bastante pertinente. Ela nos chama atenção para o plea bargain, acordo presente no Pacote Anticrime de Sérgio Moro. Fiquemos atentos!

Segue abaixo o texto transcrito de Flavia Oliveira:

Assisti neste sábado tardiamente a “Se a rua Beale falasse”, filme de Barry Jenkins (o mesmo do premiado “Moonlight”) baseado no livro de James Baldwin (retratado no documentário “Eu não sou seu negro”). O filme é tão bonito quanto triste. Uma história de amor atravessada por um sistema jurídico-policial racista e elitista.

Tish Rivers (KiKi Layne) e Fonny Hunt (Stephan James) são amigos de infância, que se apaixonam e têm o romance interrompido por uma falsa acusação de estupro. Ele é preso. Ela e a família se esforçam para inocenta-lo. Há muito o que refletir sobre o direito ao amor e a naturalização do racismo e da exclusão. O filme é pontuado por cenas lindas de olhares e atos de afeto. O elenco é predominantemente negro – Regina King ganhou o Oscar 2019 de melhor atriz coadjuvante.

Mas eu não pude deixar de refletir sobre um debate antigo nos EUA, que recém-desembarcou no Brasil. Chama-se plea bargain e integra o Pacote Anticrime do ministro Sérgio Moro. Para quem não está ligando o nome ao mecanismo, trata-se daquele acordo que o réu faz com a Promotoria para assumir um crime, não ir a julgamento e ter a pena reduzida. É artifício que, supostamente, aumenta a eficiência do sistema, mas solapa do acusado o amplo direito de defesa.

#recomendo tanto o filme quanto atenção ao debate sobre a aplicação da plea bargain no Brasil. O país, como sabemos, tem a esmagadora maioria da população carcerária formada por jovens negros pobres e de baixa escolaridade. Estima-se que quatro em cada dez detentos não tenham passado por julgamento. Entidades do movimento negros e do mundo jurídico têm denunciado o risco da aprovação desta e de outras medidas inseridas nos projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional.

#pacoteanticrime #pleabargain #racismo #afroafeto

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