“As boas mulheres da China”, Xinran

Desde que fui ao Clube de Leitura Leia Mulheres RJ, iniciei uma jornada de imersão em histórias, reflexões e análises críticas escritas por mulheres. Mesmo que, num dia ou noutro, leia autores, meu foco atual é conhecer escritoras, filósofas, sociólogas… e suas histórias.

Indicado por um colega de profissão que conheci em outro Clube de Leitura (este na Travessa do Leblon) e com quem tive uma oportunidade, mesmo que rápida, de trocar dicas de livros, iniciei hoje cedinho uma viagem com As boas mulheres da China – vozes ocultas, escrito pela jornalista Xinran, no ano de 1999. Até o momento, só li a introdução da autora – que explica como ela chegou a este livro, dez anos após iniciar um programa de rádio para falar sobre as dores e dissabores ordinários da vida de mulheres comuns – e a primeira e profundamente dolorosa história da menina que cria uma mosquinha como seu animal de estimação. Só isso, porém, já dá para sentir o que está por vir…

Ler mulheres e sobre mulheres, sejam histórias daqui do Brasil, sejam da Rússia, dos EUA, da Coreia ou da China, tem me permitido enxergar e ratificar na prática, na concretude, o que já sabia sobre a extensa crueldade do que é o machismo na humanidade. Não há fronteira, não há muro, não há cultura, não há crença que evite tudo o que já se fez e, ainda hoje, em pleno século XXI, se faz contra mulheres de todas as idades, raças, línguas e credos. É preciso ter fôlego para enfrentar e deglutir essas histórias devastadoras, e mais fôlego ainda para lutar contra o recrudescimento da violência de gênero em período de conservadorismos hipócritas, de intenções tortas em busca de poder.

Como escreveu a filósofa Djamila Ribeiro (acabei de ler ontem o excelente e esclarecedor Quem tem medo do feminismo negro?), “Quando reduzimos seres humanos a determinados papéis, retiramos sua humanidade e os transformamos em objetos” (2018, p. 143). Lutemos, pois, realmente contra rótulos absurdos como “meninas vestem rosa e meninos vestem azul”, das Damares da vida, ou ainda que “atrás de todo homem bem sucedido há uma grande mulher”, ideia revisitada e dita pelo atual presidente no Dia Internacional da Mulher. É por meio de estereótipos desse tipo que a mulher acaba permanecendo num lugar objetificado para o uso e o abuso de homens que se sentem no direito de fazerem o que quiserem. Não é possível que, ainda hoje, haja pessoas que não enxergam que suas palavras e crenças podem manter e multiplicar a violência como parte natural da vida humana feminina.

2 comentários

  1. Olá!

    Esse livro é tão pesado de tantas formas. Foi um dos primeiros que li para o Leia Mulheres também. Essa iniciativa de projeto de leitura é arrebatadora e nos faz aprender a perceber e a crescer para diversas questões. ❤

    Curtido por 1 pessoa

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