21 lições para o século 21 – Yuaval Noah Harari – Cap. 4

E continuo seguindo a leitura do Cap. 1, do Cap. 2, Cap. 3, transcrevo agora, abaixo, trechos que me chamam bastante atenção no Cap. 4.

Igualdade

Os donos dos dados são os donos do futuro

É perigoso ser obsoleto. O futuro das massas dependerá então da boa vontade de uma pequena elite. Talvez haja boa vontade durante umas boas décadas. Mas em tempos de crise – como uma catástrofe climática – seria muito tentador e fácil descartar as pessoas supérfluas. (p. 105)

A corrida para obter dados já começou, liderada por gigantes como Google, Facebook e Tencent. Até agora, muitos deles parecem ter adotado o modelo de negócios dos “mercadores de atenção”. Eles capturam nossa atenção fornecendo-nos gratuitamente informação, serviços e entretenimento, e depois revendem nossa atenção aos anunciantes. Mas provavelmente visam a muito mais do que qualquer mercador de atenção anterior. Seu verdadeiro negócio não é vender anúncios. E sim, ao captar nossa atenção, eles conseguem acumular imensa quantidade de dados sobre nós, o que vale mais do que qualquer receita de publicidade. Nós não somos seus clientes – somos seu produto. (p. 107 – grifo meu)

Humanos comuns vão descobrir que é muito difícil resistir a esse processo. No presente, as pessoas ficam contentes de ceder seu ativo mais valioso – seus dados pessoais – em troca de serviços de e-mail e vídeos de gatinhos fofos gratuitos. É um pouco como as tribos africanas e nativas americanas que inadvertidamente venderam países inteiros a imperialistas europeus em troca de contas coloridas e bugigangas baratas. Se, mais tarde, pessoas comuns decidirem tentar bloquear o fluxo de dados, podem descobrir que isso é cada vez mais difícil, especialmente se tiverem chegado a ponto de depender da rede para todas as suas decisões, até mesmo para sua saúde e sua sobrevivência física.

Humanos e máquinas poderão se fundir tão completamente que os humanos não serão capazes de sobreviver se estiverem desconectados da rede. Estarão conectados desde o útero, e, se em algum momento da vida você optar por se desconectar, as companhias de seguro talvez se recusem a lhe fazer um seguro de vida, empregadores talvez se recusem a cuidar de você. Na grande batalha entre saúde e privacidade, a saúde provavelmente vencerá sem muito esforço. (p. 108-109)

Isto é, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Estamos sem saída! Já somos e seremos cada vez mais escravos da vida digital e produtos dos donos e poderosos das redes de dados.

Se quisermos evitar que uma pequena elite monopolize esses poderes, que parecem divinos, e se quisermos impedir que a humanidade se fragmente em castas biológicas, a questão-chave é: quem é o dono dos dados? Os dados do meu DNA, meu cérebro e minha vida pertencem a mim, ao governo, a uma corporação ou ao coletivo humano? (p. 109)

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