21 lições para o século 21 – Yuaval Noah Harari – Cap. 3

Seguindo a leitura do Cap. 1 e do Cap. 2, transcrevo abaixo trechos do Cap. 3.

Liberdade

Big Data está vigiando você

(…) para o bem ou para o mal, eleições e referendos não têm a ver com o que pensamos. Têm a ver com o que sentimos. E, quando se trata de sentimentos, Einstein e Dawkins não são melhores do que ninguém. A democracia supõe que sentimentos humanos refletem um misterioso e profundo “livre-arbítrio”, que este “livre-arbítrio” é a fonte definitiva da autoridade e que, apesar de algumas pessoas serem mais inteligentes do que outras todos os humanos são igualmente livres. (p. 71)

Essa lealdade ao próprio coração pode acabar sendo o calcanhar de aquiles da democracia liberal. Pois se alguém (seja em Pequim ou em San Francisco) adquirir capacidade tecnológica para hackear e manipular o coração humano, a política democrática vai se tornar um espetáculo de fantoches emocional. (p. 72)

(…) Pense em como, no decorrer de apenas duas décadas, bilhões de pessoas passaram a confiar no algoritmo de busca do Google em uma das tarefas mais importantes: buscar informação relevante e confiável. Já não buscamos mais informação. Em vez disso, nós googlamos. E, quanto mais confiamos no Google para obter respostas, tanto mais diminui nossa aptidão para buscar informação por nós mesmos. Já hoje em dia, a “verdade” é definida pelos resultados principais da busca do Google. (p. 80)

(…) Aprendem, por experiência, a confiar no Google. Em um ano ou dois se baseiam cegamente no que o Google Maps lhes diz, e se o smartphone falhar ficam completamente sem pistas. (…) A aptidão para navegar é como um músculo – use-o ou perca-o. Isso também vale para a habilidade para escolher esposas ou profissões. (p. 81)

Vimos que o surgimento da inteligência artificial pode expulsar muitos humanos do mercado de trabalho (…). No entanto, poderá haver algumas novas aberturas para os filósofos, haverá subitamente grande demanda por suas qualificações – até agora destituídas de quase todo valor de mercado. Assim, se você quer estudar algo que lhe assegure um bom emprego no futuro, talvez a filosofia não seja uma aposta tão ruim. (p. 88)

Quando se discriminam grupos inteiros, como mulheres ou negros, esses grupos podem se organizar e protestar contra a discriminação coletiva. Mas agora um algoritmo seria capaz de discriminar você individualmente, sem que você saiba por quê. Talvez o algoritmo tenha encontrado alguma coisa da qual não gostou em seu DNA, em sua história pessoal ou em sua conta no Facebook. O algoritmo teria discriminado você não porque é mulher ou negro – mas porque você é você. Há algo específico em você de que o algoritmo não gosta. Você não sabe o que é, e mesmo se soubesse não poderia organizar um protesto com outras pessoas, porque não há outras pessoas que sejam alvo do mesmo preconceito. É só você. Em vez de só discriminação coletiva, no século XXI talvez nos deparemos com um crescente problema de discriminação individual. (p. 97)

Ditaduras digitais não são o único perigo que nos aguarda. Juntamente com a liberdade, a ordem liberal também dá grande valor à igualdade. O liberalismo sempre zelou pela liberdade política, e gradualmente veio a se dar conta de que a igualdade econômica é quase tão importante. Pois sem uma rede de segurança social e um mínimo de igualdade econômica, a liberdade não tem sentido. Mas, assim como os algoritmos de Big Data poderiam extinguir a liberdade, eles poderiam simultaneamente criar a sociedade mais desigual que já existiu. Toda a riqueza e todo o poder do mundo poderiam se concentrar nas mãos de uma minúscula elite, enquanto a maior parte do povo sofreria, não de exploração, mas de algo muito pior – irrelevância. (p. 101)

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