O filho de mil homens – Valter Hugo Mãe

Que livro! Que livro!! Que espetáculo de livro!!!

Cada vez que leio um romance, sou apresentada a novas vidas, novos seres, novas experiências. Mergulho de tal forma neles, que me sinto parte daquilo, amando, sofrendo, experimentando, (re)conhecendo um mundo que não necessariamente é próximo ou semelhante ao meu. Essas experimentações me ajudam a olhar o mundo por pontos de vistas que não estão limitados às minhas pequenas vivências reais. E acho que essa é uma das grandes riquezas e magias da Arte, especialmente da Literatura: enxergar a vida, as pessoas, as escolhas e ações de cada um com outros olhos, mais abertos, menos limitados ou limitantes.

O filho de mil homens, de Valter Hugo Mãe, um dos mais expoentes escritores portugueses da atualidade, me proporcionou tudo isso e muito mais. Tenho de assumir que este é o primeiro livro que leio desse autor. Na verdade, foi o primeiro contato que tive com ele, pois, embora já tivesse ouvido seu nome, nunca tinha lido ou ouvido nada mais específico sobre ele (e isso gerou em mim uma sensação de falta por não tê-lo conhecido antes). Mas… saudosismos do que não vivi à parte, o que interessa agora é que passei esta semana inteira completamente envolvida com suas personagens, tão diferentes entre si e ao mesmo tempo tão verdadeiramente humanas. Ainda estou perplexa e maravilhada com a simplicidade e sabedoria de Crisóstomo, cuja história perpassa por todas as outras que se apresentam ao longo do romance.

Crisóstomo nos ensina a enxergar o outro como um igual sem anular as suas diferenças.

Imagine um pescador simplório, que vive em uma cidadezinha onde tudo vira disse-me-disse, onde não só os diferentes, mas todos os que fazem qualquer coisa que foge aos conceitos conservadores de nossa sociedade hipócrita e puritana são julgados e condenados por uma (in)consciência ou inconsequência coletiva. Imagine esse pescador sendo a pessoa que vai adotar o mundo inteirinho em sua pobre casa, construindo/inventando uma família. Constituindo a sua família.

Crisóstomo é um pescador que traz o mar inteiro para casa. “Um pescador que definitivamente conquistava o mar.” (p. 140)

Por meio de Crisóstomo (estou amando repetir o nome dele, pois me remete à essência do bom cristianismo e também carrega a ideia daquele cujas palavras são de ouro). Então, por meio de Crisóstomo e de Antonino, Camilo, Isaura, Matilde, Mininha… reacendi agora, nos últimos dias de 2018, a luz verde da esperança que, pelos inúmeros acontecimentos que vivi este ano, andava tão apagadinha dentro de mim.

Ah! E nem me aventurei a falar do uso poético que Mãe faz da linguagem. Que poder de concisão metafórico ele tem! Estou perplexa e inebriada. (Corri à Travessa e comprei outros cinco livros dele! Sério!!!)

Se pudesse, eu realmente presentearia cada um de meus amigos e familiares com O filho de mil homens neste Natal. É um livro para ser lido e relido várias vezes. É uma leitura que nos leva à reflexão constante sobre os conceitos e preconceitos que reproduzimos.

Coisa mais linda!

Só posso dizer muito obrigada a minha amiga Moni, Monique Ridge, por tê-lo apresentado a mim.

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