Infiltrado na Klan (2018) – Spike Lee

Donald Trump, agora há pouco, em 2017, falou, sobre os protestos que ocorreram em Charlottesville contra negros, judeus e imigrantes, que “nem todas aquelas pessoas lá eram neonazistas. Nem todas as pessoas lá eram supremacistas brancos. Também tinha gente que era cidadão de bem”.

David Duke, alto escalão da Ku Klux Klan, como podemos ver no mais novo filme de Spike Lee, volta a ter voz nas ruas e diz: “Porque eu acredito que hoje, em Charlottesville, é o primeiro passo para perceber algo que Trump mencionou em sua campanha que é o passo para reconquistar a América”.

Triste é lembrar que foi esse mesmo David Duke quem disse sobre JB, o novo presidente eleito, “ele soa como nós”. Estamos fritos!

Inicio com essas transcrições meus comentários sobre “Infiltrado na Klan” porque não é possível assistir, hoje, a esse filme que está em cartaz, sem pensar o que estamos vivendo na atualidade.

Se, por um lado, adoro filmes baseados em fatos reais para conhecer leituras da História; por outro, a realidade nua e crua – dos crimes de ódio, da acentuação das diferenças, da falta de responsabilidade que líderes como Trump e agora JB têm ao não medirem suas palavras e, consequentemente, incitarem o ódio – está me deixando perplexa com o que se está construindo na sociedade.

Spike Lee, mais uma vez, consegue tocar na ferida aberta e nos mostrar os absurdos e a atualidade das nossas mazelas. Chama-nos atenção até para as atuais fake news que, pode-se dizer, já eram a base dos discursos racistas de David Duke, disfarçados de um nacionalismo de sobrevivência (de onipotência?!). Até o Holocausto é mencionado como tendo sido uma grande mentira, mantida pela mídia tradicional. Aff…

Muito interessante no filme, porém, é a percepção de como podemos resolver as diferenças, a discriminação, o ódio interracial: com empatia.

Eu explico:

Ron Stallworth, sendo negro, não podia ir além do contato telefônico com os membros da KKK. Para entrar lá, precisava de um homem branco que se passasse por ele. Então, o policial Flip Zimmerman faz esse papel. Entretanto, ele, embora branco, era judeu de nascença. Se isso, a princípio, não lhe chamava atenção e não interferia muito em sua vida, passou a existir ao conviver com os membros da KKK. Ele passa a perceber o preconceito vivo nos olhos e crenças daquele grupo e se dá conta de uma verdade que, muitas vezes, sem viver isso, na pele, não teria condições de entender. Essa é a grande questão também para refletirmos hoje.

Quando vejo pessoas falando sobre “homens de bem”, “direitos humanos para humanos direitos”, criticando a base do que é, de fato, o politicamente correto, vejo que essas pessoas, nem de longe, conseguem enxergar o lugar do outro, e, por isso, lhes negam, por meio de seus votos e escolhas, direitos civis, e rejeitam o que possibilitaria, mesmo que num processo longo, um desenvolvimento da igualdade de raça ou de gênero.

Spike Lee, mais uma vez, deu um tiro certeiro! Essa arma, a Arte crítica, é a única na qual acredito.

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