I, Daniel Blake (2017 – Netflix)

“Eu, Daniel Blake” é um drama documental. Sua proposta é clara desde o início: denunicar a burocracia e a frieza do precário sistema de benefícios ao trabalhador inglês, que se encontra doente e impossibilitado de produzir.

A desumana e indigna situação em que se encontra um cidadão comum no momento em que mais precisa do Estado nos aparece numa perturbadora lentidão. Essa lentidão, porém, se faz na ficção para corroborar a cruel realidade. Afinal, para apresentar a lenta burocracia, a lenta e longa escassez do dinheiro, a lentidão das respostas e lentas e absurdas ações mecânicas, robotizadas e insensíveis às particularidades do ser humano, somente uma dramática e lenta narrativa da vida, um dia após o outro, de pessoas comuns, como eu ou você.

A impotência de Daniel Blake diante das exigências do Estado mostram-nos como os governos tratam os seus cidadãos, gente simples, trabalhadores, homens de bem. Em contrapartida, sua humanidade diante da necessidade e carência do outro, tão ferrado quanto ele, faz-nos acreditar que ainda há esperança no Homem, mas essa esperança também pode morrer a qualquer hora.

Vale muito assistir. Até porque também pode mostrar aos brasileiros que enaltecem tanto os países desenvolvidos com seu complexo de vira-latas que problemas sérios e cruéis também existem lá.

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