Tribunal Inquisitorial da Idade Mídia

A semana que passou foi uma das piores de minha vida. Senti-me queimar em uma fogueira do Tribunal Inquisitorial da Idade Mídia, com pessoas desconhecidas ou pouco conhecidas me esfaqueando pelas costas.

Que tristeza viver em um mundo em que as pessoas estão armadas, por trás de suas telas, com palavras que podem matar seu semelhante. Que tristeza viver em um mundo no qual você não tem o direito à dúvida. Que horror viver em uma sociedade que julga, condena e queima o outro em sua profissão ou vida pessoal porque discorda de sua visão política.

Estamos em meio a uma guerra de mídia, de palavras e de rótulos. Se não somos isto, obrigatoriamente nos rotulam como aquilo. Somos objetos que consomem ou são consumidos. Tornamo-nos binários e ignoramos nossa rica complexidade. Estamos discutindo a violência matando o diferente com as palavras. E as palavras são armas de altíssimo calibre. Se o indivíduo afetado por elas não tiver uma robusta estrutura psicológica ao seu redor, pode morrer ou se matar de fato.

Mesmo tendo essa estrutura e apoio, eu passei mal, tive insônia, diarreia, enjoo. Fui xingada de esquerdopata, filha da puta e professorinha de merda, apenas porque ousei duvidar, no momento em que as notícias ainda estavam truncadas (tinha sido dito que o corte era superficial e apenas receberia 6 pontos e depois disseram que ele havia chegado ao hospital quase morto). Volto a dizer: eu apenas ousei duvidar e questionei o uso eleitoreiro que poderia se fazer com o ocorrido! Ainda hoje tenho dúvidas sobre a morte de Tancredo, sobre o acidente de Eduardo Campos, sobre o uso em benefício próprio do acidente com a mão do Lula… Nietzsche já dizia que “as convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras”. Mas hoje já estamos vivendo uma ditadura e nós mesmos somos ora os oprimidos, ora os opressores. A grande massa de manobra está aí. É-nos tirado o direito ao pensamento livre. E somos nós os vigias.

O tribunal inquistorial está aí para printar as nossas mensagens e levá-las para correr o mundo. Os que fazem isso devem ter bem claro que carregam o sangue dos linchamentos em suas mãos. O problema é que todos têm telhado de vidro. Podem estar numa hora com a tocha, mas correm o risco de se encontrar em seguida sobre a palha a ser incendiada.

É preciso acordar!

Violência não se acaba com violência.

Numa guerra mesmo os vencedores têm perdas inestimáveis. A violência se resolve com um investimento em justiça rápida e precisa, Educação, diminuição da desigualdade e reforma do sistema prisional. Isso demora, mas é a única solução.

Devemos discutir ideias, não impor rótulos. Precisamos valorizar a liberdade de expressão, não restringir a uma visão única. Não há democracia quando os pesos e as medidas são distorcidos para um dos lados.

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