“Meu amigo Nietzsche” (2012)

Ontem assisti a um lindo e emocionante curta-metragem indicado pelo meu amigo Robson Freire do blog Caldeirão de ideias:

“Meu amigo Nietzsche”, de Fausto da Silva.

Se preferir, assista ao curta abaixo (são 15min) e só depois leia meu comentário, porque acabo dando spoilers.

Bem… preciso começar dizendo que chorei muito de emoção. É lindo demais!!!

Fiquei imaginando, no mundo polarizado em que estamos vivendo hoje, quantos disseram não gostar do curta apenas pela escolha dos livros que chegam ao menino. Entretanto, muito além dos livros a que se tem acesso para se tornar livre – e no filme há uma intenção discursiva clara na escolha dessas obras – , eu fui tocada pelo ponto de vista do ensino: pela magia do encantamento.

Não é qualquer um que tem a capacidade de encantar uma criança com um livro. O menino passou por muitas pessoas: pai, mãe, professora, vizinha, pastor… E o que ele sentiu é o que muitos de nós sentimos em nosso dia a dia: o desprezo pela leitura, a falta de amor por qualquer que seja a aprendizagem, a total falta de curiosidade, o medo como causa ou consequência da ignorância e a proibição, como resposta mais fácil e imediata para o que não se conhece.

Quando terminei, só consegui desejar… Desejar muito que nós, pais e professores, consigamos agir mais como o senhor “burro de carga” (aliás não poderia estar em personagem melhor) agiu.

A forma como ele fala com o menino e o incentiva e o desafia a ler, pela curiosidade, é pura pedagogia na alma. É vida! É a descoberta do prazer.

Isso é, para mim, o mais forte e tocante neste curta.

Fiquei pensando também sobre o que li a respeito da formação de Marielle, minha vereadora executada nesta semana. Ela começou em um cursinho pré-vestibular social no Complexo da Maré e chegou ao Mestrado na UFF.

Há muita gente muito, muito, muito boa por aí, que poderia pegar bondes de intelectuais para sair das cruéis estatísticas e se transformar e transformar vidas.

Bastam oportunidades!

A “meritocracia” só vale a partir da existência de reais condições e oportunidades. Sem elas, a corrida é desumana e injusta.

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