“O castelo de vidro” (2017)

Assistimos na sexta, alugado no Google Play, ao filme ” O castelo de vidro”, indicado pelo Filmmelier.

Embora seja uma linda declaração de amor aos pais, o filme, baseado na autobiografia de Jeanette Walls, me deixou tremendamente agoniada. É um verdadeiro dramalhão, mas um dramalhão da vida real. Só em pensar na realidade daquelas quatro crianças, me senti incomodada demais.

Não me interessa fazer análise da obra, da direção ou da produção cinematográfica. Apenas tendo assistido ao filme, digo que sofri e sofri muito, do início ao fim. Mesmo que a autora hoje seja uma renomada escritora e jornalista aparentemente por mérito próprio, mesmo que outros dois de seus irmãos tenham superado os problemas como a autora (melhor do que a irmã caçula) e acabem sendo todos gratos ao pai louco que tiveram e se mantenham os quatro unidos e fortes como família, ainda assim o estilo de vida criado pelo pai e admitido pela mãe me dá um medo tremendo do desconhecido. Até porque o futuro que essas crianças conseguiram conquistar a partir da realidade familiar que tinham não é, nem de longe, a regra. É a mais pura exceção!

O medo do desconhecido também tem a ver comigo mesma. Apesar de meus pais terem lutado a vida inteira para nos criar muito bem e até dentro do sistema capitalista de consumo, para que estudássemos e tivéssemos um futuro, vivi a minha infância inteira vendo uma instabilidade financeira para pagar as contas do fim do mês e uma certa irresponsabilidade com relação ao futuro e à velhice deles mesmos. Houve épocas de imensa fartura; outras de muitas privações e nenhuma precaução para o que viria depois. Crescer no que para mim representava insegurança e instabilidade me fez sentir uma vontade imensa de ser diferente deles e, por isso, sempre exigi mais de mim mesma e depois de meus filhos no único bem real que temos: os estudos. Aliás é o que muda a vida também de Jeanette Walls.

É verdade que cada pessoa pensa de um jeito e constrói sua vida da forma que quer ou que pode/consegue. Entretanto, eu sabia que poderia ter pouco, mas precisava que o pouco fosse minimamente certo. Ok, tudo bem que nessa vida nada é 100% certo, principalmente quando as variações socioeconomicopolíticas do país em que se vive não nos asseguram muita coisa. Mas não deixar que a vida seja apenas um dia após o outro; não se esforçar ao máximo para ter no amanhã algo pelas suas forças (mesmo que na hora H não tenha), na minha visão, não é saudável nem respeitoso para com os que fazem parte desse vínculo familiar.

As incertezas do amanhã, aumentadas até pelos traumas e alcoolismo do pai, e o total descomprometimento dele com um mínimo de estabilidade e segurança para os filhos são pontos fortes do meu sofrimento ao longo do dramalhão que é esse filme.

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