Nós e as redes sociais

Escrevi o texto abaixo em 2012. Ele faz parte de um artigo que publiquei em 2013 chamado A metamorfose do modo de ser e de estar no mundo atual e as reais mudanças na sala de aula presencial.

De lá pra cá muita coisa mudou no uso das redes sociais. Entretanto ainda me pergunto sobre como lidar com os smartphones em nossa vida cotidiana, se estamos todos grudados e dependentes deles não somente para a comunicação como também para inúmeras outras tarefas diárias.

Precisamos refletir mais sobre o assunto e acho que o princípio dessa reflexão deve partir da auto-observação. Eu, por exemplo, tenho consciência de que meu celular, embora sempre no silencioso, virou parte de minhas mãos. Estou quase sempre segurando-o.

Aí vai meu texto que virou parte do artigo.

Uma campanha publicitária da empresa Vivo de Telecomunicações apresentou de forma humorada o modo como as pessoas lidam hoje com a informação. As propagandas televisivas demonstram, através do uso de celular, o acesso rápido e fácil à internet, isto é, representam o contato imediato dos jovens à internet. Em toda a campanha, o enredo é o mesmo: uma pessoa (emissor) começa a falar algo para outra (receptor). No entanto, antes de o emissor completar a sua fala – ele deixa um espaço de respiração, pensamento ou escolha da palavra certa –, o receptor, criando uma expectativa supostamente verdadeira, começa a buscar na internet de seu celular informações e produtos para a nova situação que lhe está, aparentemente, sendo apresentada.

Em um dos comerciais, por exemplo, um marido interpreta que sua mulher está anunciando que está grávida. Assim que entende isso, ele começa não só a planejar o apartamento para a chegada do filho, mas também inicia uma seleção de produtos de bebê para adquirir: fraldas, chupetas, mamadeiras etc. Em outro, uma esposa acredita que seu marido vai lhe dizer que não a ama mais e que já tem outra pessoa em sua vida. Rapidamente, então, ela muda em seu perfil de rede social a situação de casada para divorciada, começa a planejar cirurgia plástica, emagrecimento, bronzeamento, compras para renovar o guarda-roupa, tudo o que parece necessitar para enfrentar a separação e se preparar para uma nova etapa de vida atrás de um novo relacionamento por sites de namoro. Numa terceira propaganda da campanha, não necessariamente nessa ordem, um casal aparece em seu quarto arrumando malas. O filho mais velho chega e faz uma pergunta sobre a mala aos pais. Antes de ouvir a resposta completa, porém, infere que eles vão viajar. No mesmo instante, começa a planejar uma festa. O jovem contrata comida, bebida e música pela internet do celular. Convida, também, seus amigos pelas redes sociais.

O final de todas as propagandas é comum. O emissor completa o que havia iniciado a dizer e toda a hipótese criada pelo receptor cai por terra. Então, da mesma forma que ele iniciou toda uma pesquisa para a nova situação imaginada, também desfaz tudo. O que percebemos é que a rapidez com que uma suposta verdade – que gera uma busca incessante por informações – e o retorno à realidade – que desfaz tudo aquilo que já tinha sido imaginado – mostra como os jovens – e também muitos de nós já adaptados – vivemos e interagimos com o mundo hoje. Não só o modo como lidamos com o que nos é apresentado, procurando possíveis soluções para os problemas surgidos, como também a efemeridade com que as coisas passam e são descartadas representam a atualidade.

Várias questões se levantam aos meus olhos a partir dessa campanha. Dentre elas, pergunto-me: se o nosso acesso à internet se concretiza principalmente pelas relações sociais em rede, mergulhadas em consumo, aparência e entretenimento, como podemos ser e multiplicar a formação de cidadãos críticos das mídias que usamos para não ficarmos na esfera do pertencimento, do consumo e do espetáculo? Como enfrentar tantas ações desonestas a partir de “fake news” e de manipulações de consumo de coisas e de conteúdo/informação?

Precisamos aprender muito ainda!

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