“Rodin” (2017) – “O Pensador” está nu!

Ontem vimos “Rodin”, filme que estava até há pouco em cartaz nos cinemas Estação Net. Agora, na magnífica lista do Filmmelier, aparece disponível para aluguel baratíssimo, por exemplo, no Google Play ou no YouTube.

O drama francês de Jacques Doillon é lento, mas, para quem gosta de Arte, vale a pena ter a possibilidade de imaginar pelas lentes do diretor como era o dia a dia de trabalho do escultor, suas inquietações e modo de estar no mundo. Eu amei!

Muito interessante também foi perceber que ele – talvez, hoje, o escultor mais popularmente (re)conhecido e admirado por aqueles, como eu, que não são da área – sofreu repúdio social a algumas de suas obras e recebeu críticas inflamadas de conservadores e da Igreja Católica.

Passou-se o tempo e as pessoas permanecem com os mesmos preconceitos e visão limitada. Aff! Estamos revivendo isso neste exato momento, não é mesmo?

A Arte tem de ser compreendida como mote de inquietação, de desconstrução de ideias. Ela é feita para tirar-nos da zona de conforto e fazer-nos pensar. Não é para agradar. A nossa sobrevivência enquanto humanos depende totalmente disso!

Aos que acreditam e levantam a bandeira de que o belo na Arte, em qualquer expressão artística, é uma forma idealizada perfeita, bem camuflada para não expor os tabus, Rodin dá “uma banana” e continua esculpindo e desenhando corpos nus, belamente delineados e em posições variadas.

O filme nos mostra ainda outras coisas bem interessantes. Entre elas, a criação de parte da imensa escultura “Porta do Inferno”, inspirada em Dante Alighieri. Tive o prazer de, em 2011, admirá-la de pertinho quando estive em Paris. Apresenta também a relação conturbada entre Rodin e Camille Claudel*, artista que terminou seus dias de vida em sanatório; e o convívio desse escultor com outros artistas, das diversas áreas, contemporâneos seus, como Cézanne, Emille Zola, Monet, Renoir entre outros, que aparecem ou foram mencionados ao longo da história.

*Sobre Camille Claudel exponho apenas percepções a partir do filme, pois nada conheço de sua história. Tive a impressão de que ela enlouqueceu pelo seu não pertencimento à época. Isto é, ser mulher, artista e independente já era muito peso para enfrentar a sociedade conservadora do século XIX. Além disso, ainda esculpir corpos nus?! Não poderia dar bom resultado… Sua personagem no filme diz bem: “Uma estátua nua esculpida por uma mulher é impensável”.

Enfim, o filme, embora lento – repito -, cumpre seu papel. Eu assistiria novamente numa boa.

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