“Sentindo na pele: percepções de discriminação cotidiana de pretos e pardos”

Texto publicado no jornal O Globo, de 05/11/17.

Estudo: quanto maior a escolaridade, maior a percepção do preto quanto à discriminação

POR TIAGO ROGERO

Discriminação racial: quanto mais estudo, mais sente na pele

Quanto maior a escolaridade do preto no Brasil, maior é a percepção dele quanto à… discriminação que sofre. Entre quem tem de um a oito anos de estudo, a porcentagem dos que sofrem ou percebem situações cotidianas de discriminação é de mais da metade, 55,68%; já para os que estudaram 12 anos ou mais, o índice passa para quase dois terços, 64,76%. Os dados são do estudo “Sentindo na pele: percepções de discriminação cotidiana de pretos e pardos”, de Verônica Toste Daflon, Flávio Carvalhaes (ambos da UFRJ) e João Feres Júnior (da Uerj).

Para Verônica, socióloga, há, ao menos, duas explicações. “A educação equipa o indivíduo com um repertório para acessar determinado saber”, explica.

Ou seja: o preto mais educado tem mais acesso, por exemplo, a informações sobre História e racismo. Outra explicação é que, por ascender a um nível socioeconômico mais alto e majoritariamente dominado por brancos, o preto com mais anos de estudo tem mais chances de ficar exposto a determinadas situações a que, antes, não tinha acesso — como ter a entrada negada numa festa ou restaurante, por exemplo.

A pesquisa também mostra que, quando possuem menos escolaridade, pretos e pardos têm percepções semelhantes de discriminação: de um a oito anos de estudo, índices de 55,68% e 52,03%, respectivamente. Mas, em níveis socioeconômicos mais altos, enquanto, entre os pretos, o índice cresce e chega a 64,76%, entre os pardos a taxa cai bastante, para 38,24%, ficando bem próxima, inclusive, à dos brancos nessa faixa, que é de 32,28%.

Para a socióloga, os “poucos pardos que conseguem ascender socialmente têm uma permeabilidade maior entre a elite branca, por serem vistos como estética e culturalmente mais próximos dos brancos”.

Mas isso não quer dizer, explica Verônica Toste, que pardos não sejam, também, muito discriminados — em salários, por exemplo.

Enquanto a renda média do trabalho de pretos e pardos, hoje, seja praticamente igual no Brasil, ela é 42,5% menor do que a dos brancos para o primeiro grupo; e 41% menor para o segundo. A socióloga acrescenta que “a grande barreira que ainda existe no Brasil é a entre os brancos e os não-brancos”.

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