“João, o Maestro” (2017)

O filme “João, o Maestro” poderia (deveria?!) ser visto duas vezes seguidas, em sessões subsequentes. A primeira, de olhos e ouvidos bem abertos, seria para conhecer a história, os atores em suas atuações, além de ver e de ouvir, da infância à vida adulta, o exímio pianista. A segunda, por sua vez, deveria ser de olhos vendados a fim de apurar apenas um dos sentidos: a audição.

Ouvir um filme logicamente não é o mesmo que ouvir um CD. Essa produção, no entanto, merece uma sessão experimental apenas para audição. Já conhecedores da história, o espectador teria a oportunidade de degustar (com os ouvidos!!!) a construção da aprendizagem de um músico. Mesmo sem entender nada, poderia tentar sentir como o músico sentia, internalizava e vivia a música, até chegar ao que, ainda muito jovem, ele aprende para se distinguir dos outros pianistas: tocar as pausas…

Tocar o silêncio.

Pode até ser loucura o que estou dizendo, mas foi essa a vontade que tive assim que acabou a sessão. Ouvir o filme por inteiro. E só.

A história de vida e de superação de João Carlos Martins é impressionante. Eu a conhecia bem por alto. Sabia de seus problemas nas mãos, mas nem imaginava os fatores externos que causaram tanto sofrimento. Paixão realmente é pouco para definir o que o leva a superar tantos problemas e limitações ao longo de sua vida. Como é dito em vários momentos do filme, o pianista e maestro vive sua paixão de forma obsessiva. Uma obsessão diabólica. Com tamanha obstinação, questões da vida particular (também não eram o foco do filme), com certeza, foram ficando de lado.

Aí bateram algumas curiosidades… Por exemplo, sobre como seus filhos foram criados numa relação paterna aparentemente ausente, pelo pouco que foi mostrado, e como eles se relacionam com um pai tão famoso e exigente consigo mesmo. Mas são meros detalhes e nada têm de importante para o filme em si.

É isso. Vale muito a pena!!! Mesmo quem não é fã de música clássica vai se apaixonar pelo filme. Pela história e pela música. Aliás, me lembrei muito de “Whiplash – em busca da perfeição”.

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