Você é viciado em séries?

Acho que tenho um terrível problema de incompatibilidade temporal. Parece que a gente está vivendo a “Era do Fast Food de Séries”, e eu não consigo nem quero me adequar a essa correria. Elas invadiram a nossa vida de tal jeito, que é impossível dar conta de tantas variedades, tantos gêneros, tantos temas, tantas histórias. Estou bloqueada!

Não tenho vergonha, ou melhor, tenho até orgulho de dizer que não sucumbi à Era Lost (2004-2010), quando todos só falavam disso. Também não me aprisionei ao “House of cards”, embora tenha gostado da primeira temporada, e, nem de longe, sou dependente do próximo episódio de “Game of Thrones” (que febre é esta desde 2011 pelo amor de Deus?!!!). Aliás, está em que temporada mesmo?! Aff…

O que me desanima a acompanhar a overdose de séries, episódios e temporadas é que não dá pra assimilar nada. Eu preciso de tempo para “ruminar” um bom filme, elaborar questões em minha cabeça, e essa enxurrada não permite o prazer do tédio nem do ócio para a reflexão. Às vezes, acho que não importa mais a qualidade com que se vê algo. Todos só querem contabilizar o quanto já assistiram, e mais, e mais, e mais! O cardápio de opções é tão extenso, que nem me dá tesão para escolher uma. Fico perdida! Aliás, tesão é o que é mais necessário para me segurar a uma história que se pretende tão longa, tão duradoura.

Toda essa crítica, porém, não quer dizer que não assista a série alguma. Lógico que assisto! Mas não fico presa a modismos nem me sinto obrigada a ver todas as temporadas. Chega a hora do “Basta!”, então eu paro e largo mesmo. Não tenho apego algum. É assim que vou exercendo a minha liberdade.

Foi assim com a magnífica “Once upon a time”, série que todos que amam boas histórias e tiveram a infância recheada das belas narrativas dos contos de encantamento, certamente, gostam/vão gostar. Também foi assim com o eletrizante entretenimento puro de “Designated Survivor”, que já deu, para mim. Valeu ainda, como mãe e professora, a experiência adolescente de “13 reasons why”. Gostei muito da série sobre a Rainha Elisabeth II (“The Crown”), e “Black mirror” me deixou bem desconcertada.

Como se pode notar, porém, consigo citar um número de séries contados nos dedos de uma das mãos. Vi outras (ou partes)? Lógico que sim. Mas onde elas estão em minha memória, ou melhor, em minhas boas e importantes lembranças (a memória afetiva)? A quantidade e rapidez acabam com isso! Me lembro de “Barrados no baile”, mas não lembro o nome da série que estava vendo ontem.

Não posso negar: gosto mesmo é de um bom filme. Um filme tem começo, meio e fim nele mesmo. Com eles, posso passar da tensão ao tesão; da dor ao amor; do grotesco ao belo e vice-versa, em uma única jornada. 120 minutos não é muito para enjoar, nem tão rápido como a maioria dos episódios das séries. Essa completude me faz bem. É um alimento que me sacia e me transforma com muito mais força.

Peço mil desculpas aos aficionados por séries como meu marido, mas eu continuo preferindo os perfumes nos pequenos frascos. Eu precisava fazer esse desabafo.

4 comentários

  1. Pior mesmo é ter que esperar um ano pra ver a próxima temporada. Meu cérebro não comporta tanta informação. Acabo vendo umas 5 séries novas nesse tempo e não lembro mais de nada. Mal lembro do nome dos personagens principais.
    Talvez por isso nunca tenha conseguido ver Game of Thrones. Fiquei tão tonta com tanta gente que desisti. Agora tô vendo a última temporada e entendendo poucas coisas…mas tudo bem. Não tô disposta a ver 56779 capítulos pra entender melhor.rs
    Uma boa série pode ser sobre qualquer assunto. Algumas são dureza. Black Mirror não deu pra mim. Sense 8 é incrível, mas tão confusa que você precisa de 5 episódios pra entender o que tá acontecendo. Mas vale…pena que vai acabar. 😦

    Curtido por 2 pessoas

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